Foi tempo que ser um homem de família significava passar horas fora, ganhando o pão e o leite das crianças. Hoje, mais do que isso, não basta ser pai – tem que participar. É esse o sentimento da nova geração que comemora neste domingo, pela primeira vez, o Dia dos Pais.

Eles são jovens, ambiciosos e, não raro, dividem o tempo entre trabalho e um MBA que vai fazer tudo valer a pena em alguns anos. O que mudou entre os casais do passado e os atuais é que esse é também o perfil das mães da geração Y, mulheres independentes, chefes no escritório e, muitas vezes, as principais provedoras da casa. Esse é um dos fatores que provocam uma participação cada vez maior dos pais na educação dos filhos.

O papel da mulher na sociedade mudou

“Com certeza e acredito que isso seja, principalmente, pelo papel que a mulher assumiu na sociedade. Ela deixou de ser a ‘dona de casa’ e se tornou a ‘dona da casa’. São as mulheres que vêm tomando as rédeas da situação e, com isso, o papel do homem, antes provedor, passou a ser mais inclusivo e trouxe uma relação de proximidade com a família e, claro, com o filho”, analisa o jornalista Bruno Rodrigues, pai do Benjamin há poucos meses. “O pai, agora, está ali ao lado da mulher e do filho. Ele acorda na madrugada para trocar a fralda, sabe dar banho, botar a criança para dormir e faz isso com prazer. Acredito que os pais do futuro terão relações ainda mais próximas com os filhos, que os pais da geração atual”, completa.

Ou seja: se engana quem pensa que os pais modernos estão apenas cumprindo obrigações. Eles fazem questão de fazer tempo para os pequenos e não abrem mão de estarem presentes nos momentos mais emblemáticos da vida do filho. O próprio Bruno chegou a pedir para trocar a data de sua folga para poder passar o fim de semana inteiro com Benjamin em seu primeiro Dia dos Pais. Os planos? Piquenique no lago, passeio na praça, um almoço especial. Tudo para agradar o pequeno. “Acaba que virou o ‘Dia do Filho’, por ele ser muito novinho. Precisei me adaptar, mas não estou reclamando. Estar com o meu filho é sempre muito prazeroso”, conta o pai coruja.

O amor incondicional que aflora com a paternidade

Claro que, depois da paternidade, esse sentimento altruísta ganhou uma nova visão. A capacidade de colocar o outro em primeiro lugar se torna a base das decisões de um casal após a notícia de que vão ser pais. “Eu já era uma pessoa responsável antes de ser pai. Preocupado. Observador. Acredito que agora, aumentaram essas características. E, principalmente, fiquei mais emotivo”, analisa o militar Bruno Borges, também pai de primeira viagem. Ele e a esposa Flávia receberam o Bernardo há 11 meses.

Poucas experiências de outros pais na internet

Foi buscando compreender o que se passa na cabeça de outros papais que Bruno Rodrigues fez o que qualquer pessoa faria: fez uma busca na internet. Qual não foi a sua surpresa quando se deparou com um vazio de relatos de outros pais sobre sentimentos e experiências da paternidade.

“Não encontrei depoimentos de outros homens na mesma situação que eu. Enquanto as mulheres desabafam e se expõem, a maioria de nós, homens, se recolhem em si e não exprimem o que sentem. Talvez por vergonha, talvez por medo de se mostrarem vulneráveis… Confesso, também tive e tenho certo receio disso. Mas, mesmo assim, busquei um espaço na web que mostrasse claramente, sem o politicamente correto e muito menos as receitas de bolo sobre o que era certo e o que era errado, o cotidiano da vida de um pai de primeira viagem. Após as tentativas frustradas, decidi eu mesmo compartilhar a minha experiência e criar o Pai365 (http://www.pai365.com.br/)”, recorda.

Diferente de seu trabalho jornalístico, muito mais analítico com os fatos do dia-a-dia, o blog se tornou um espaço para troca de ideias, sensações e desabafos. Entre os tópicos abordados por lá estão o susto de uma tosse que levou o bebê à UTI, as visitas que insistem em aparecer logo nos primeiros dias de vida da criança e, de um lado mais positivo, o primeiro sorriso e dicas de filmes e documentários que ajudarão a compreender como “funciona” o novo ser humano.

Compartilhando ideias com outros pais de primeira viagem

O que antes era atribuído principalmente à mãe – ler e se informar sobre questões como amamentação, alimentação e sono do bebê -, agora é também domínio masculino. Eles também querem e precisam saber a temperatura ideal da mamadeira e entender o choro do pequeno. Para o jornalista, a mudança já acontece, em grande parte devido a essa nova geração, que enxerga o papel do pai de forma completamente diferente. Quem diz isso? Os visitantes do blog, em especial, que já deixam comentários e enviam e-mails com suas próprias histórias.

“Faço essa observação com base nos pais de primeira viagem que conheço, além dos jovens pais que me enviam mensagens pelo blog. O que acho bacana é que o pai vem trazendo outros assuntos além dos filhos, trazem à tona as questões familiares. O homem está vendo o papel de pai de maneira nova, mais inclusiva. Ele projeta no filho toda a falta que seu pai fez e busca aperfeiçoar e melhorar essa relação”, analisa.

Mas é claro que nem tudo mudou. Ter e criar um filho continua sendo um desafio todos os dias, não importa de que geração os pais são.

Bruno Borges acredita que, na essência, o papel do pai não passou por muitas alterações. A responsabilidade, a educação, o exemplo, a atenção, a paciência, a preocupação com as finanças, a proteção no geral ainda estão em voga. No entanto, ele percebe que a divisão das tarefas de criação e das tarefas domésticas, cuidado com a casa, são mais exercidas pelos pais de hoje do que eram pelos pais de ontem.

Já para o jornalista, o importante é encarar esse desafio de frente. “É tudo muito novo e toda novidade assusta. Dizer que estou preparado para o que vem é assumir uma postura que não poderia sustentar por muito tempo. Por isso, gosto de dizer que estou disposto. Disposto a aprender a ser pai todos os dias, porque é basicamente isso que acontece. A gente aprende, com o filho, a ser pai. Só a prática ensina nesse caso. Não há receita de bolo. Você descobre um amor maior que jamais imaginou e isso te dá forças para seguir em frente. Sei que esse aprendizado será uma constante e enxergo todos os desafios como uma oportunidade a ser uma pessoa melhor e, principalmente, um pai melhor para o meu filho”, comenta Bruno Rodrigues.

Os pais de primeira viagem estão aí para desafiar o conceito do “papai moderno”, que aparece fã de tecnologia e gadgets nas listas de sugestão de presentes. É uma modernidade enraizada em conceitos fortes, como família e amor, mas que vai além para dar voz e sentimento ao homem antes visto como o provedor que não participa do dia-a-dia da casa. Mais do que isso, eles vão ao encontro das mães modernas, que também querem trabalhar e subir na carreira, sem deixar de lado o convívio social e a prática de exercícios, por exemplo. Nessa sociedade em que os papeis buscam um novo equilíbrio, o pai reconquista a sua posição de quem ama, se dedica e, claro, participa.

Sobre Ana Telma

Sou uma pessoa apaixonada pela vida. Pela minha fotografia, pelo meu amor, pelos meus amigos, pela minha família, pelos meus gatinhos, pela minha casa, pela minha cidade, pelo meu país. Viciada em televisão, internet, chocolate e café. De bem com a vida na maior parte do tempo... Contente com o mundo e feliz!!

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